quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Anunciantes topariam pagar mais por comercial em TV digital

Eliane Pereira

Possibilidades que se abrem com a digitalização da TV aberta não estão claras, mas marcas estariam dipostas a investir na novidade para marcar posição de pioneirismo e inovação As novas possibilidades que se abrem com a digitalização do sinal da TV aberta foram um dos focos do debate do painel Novos Tempos e Novos Desafios - A Eficácia da Mídia em Mutação, que reuniu no início desta tarde os diretores gerais da Rede Globo, Octavio Florisbal e do portal Terra, Fernando Madeira; os presidentes executivos dos grupos Abril, Giancarlo Civita, e CBM, Daniel Barbará; e o vice-presidente executivo da RBS, Pedro Parente. A verdade é que ninguém sabe ao certo qual modelo de negócios vai se estabelecer com a digitalização do sinal. Octavio Florisbal aposta na diversificação da audiência, graças à recepção do sinal por dispositivos móveis (como celulares) e portáteis (como minitelevisores que podem ser transportados para qualquer lugar). "Só no Japão já foram vendidos cerca de 12 milhões desses aparelhos", conta o executivo da Globo, ao ponderar que será preciso criar novos formatos comerciais para atingir esse telespectador que vai assistir televisão fora de casa. Florisbal acredita numa revitalização do hábito de assistir televisão a partir da melhora da recepção do sinal de TV. Ele lembra que 90% dos brasileiros capta a TV aberta pelo ar e, em muitas localidades, essa recepção é falha. "Se a pessoa puder comprar uma caixa conversora por R$ 300 e, assim, conseguir captar um sinal de qualidade, isso vai oxigenar o hábito de ver TV junto à massa da população", diz Florisbal. "Nosso grande desafio é que temos que fazer um investimento alto na digitalização, antes mesmo de saber como se dará o retorno desse investimento", analisa Parente, da RBS, que também aposta no crescimento da audiência como forma de conquistar novas verbas. Além dos equipamentos de transmissão, as redes terão que aplicar recursos na melhoria dos padrões de produção, visto que a imagem em alta definição torna nítidos todos os detalhes de cenário, figurino e atores. E ainda assim a imagem em alta definição será, pelo menos no início, um privilégio para muito poucos, levando-se em conta os preços dos televisores aptos a reproduzi-la. Mesmo assim, na opinião de Luiz Fernando Vieira, responsável pela área de mídia da Africa, os grandes anunciantes estariam interessados em investir nessas novas tecnologias, para atingir o público de maneira mais inteligente. "Os clientes topariam pagar mais para agregar uma imagem de pioneirismo e inovação para suas marcas", concordou Paulo César Queiroz, da DM9DDB, presente na platéia.

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