quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Empresas monitoram redes de relacionamento on-line para melhorar produtos e se aproximar do consumidor


Com o constante aumento de adeptos à rede mundial de computadores no Brasil e no mundo, marcas fortes no mercado procuram as novidades na Internet como forma de estudar o comportamento dos seus consumidores. Comunidades virtuais, fóruns sociais e blogs são os novos meios de comunicação entre empresa e cliente. Mas nem sempre esta comunicação gera bons resultados para as marcas.
Por isso, empresas como O Boticário mapeiam o que as pessoas estão falando sobre a sua marca, seus produtos e serviços em comunidades e fóruns. É o que os especialistas chamam de monitoramento de Buzz Marketing. Desta forma parece mais fácil entender o perfil do consumidor, que no universo virtual apresenta atitudes e hábitos cada vez mais diversificados.
Na Dialeto.net, empresa de soluções para Internet, foi criado o “Personas Digitais” onde é possível traçar o “eco-sistema” do internauta, ou seja, onde ele vive no mundo on-line. Com este recurso, a empresa busca fontes como blogs, fóruns, comunidades, entre outros. Após o eco-sistema ser definido e mapeado, é hora de trazer informações ou comentários sobre a marca ou produto. Estas informações são capturadas através de um dicionário on-line, serão classificadas através de uma ferramenta e podem ser comentadas por funcionários da empresa que contrata os serviços da agência. “A interatividade depende do cliente ou do produto e é feita através de pessoas que podem ou não se identificar como empresa”, diz Renato Abdo (foto), presidente da Dialeto.net, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Boca-a-boca pode gerar fracasso Com a descoberta do poder de propagar dos sites de relacionamento e dos blogs na Internet, empresas se preocupam com a possibilidade de ver suas marcas aparecerem de forma negativa em comunidades e fóruns de reclamações, o que gera um arranhão considerável para uma companhia. Para Abdo, o que vai determinar o sucesso ou fracasso é a estratégia adotada, o conceito usado e até a equipe da empresa destaca para mapear o buzz marketing.
Há, contudo, de se precaver contra campanhas que utilizam este tipo de ferramenta. O Diretor de negócios da E-life, Alessandro Barbosa Lima (foto), diz que o consumidor está vacinado contra o boca-a-boca forjado positivamente para uma marca e afirma que o Buzz Marketing faz com que o consumidor conheça e tenha acesso ao produto ou serviço. A partir daí, se o cliente gostou ou não, foge ao controle da empresa. “Investir em Buzz é um processo sem controle, podendo gerar repercussão positiva, negativa ou nenhuma”, afirma o especialista no assunto.
Por isso é preciso monitorar se existem comentários positivos ou negativos na internet. Em caso de negativo, este comentário tem o poder de machucar uma campanha, devido ao potencial de se espalhar rapidamente na rede. “As pessoas estão usando a Internet como pesquisa antes de comprar um produto. É mais fácil acreditar em outro consumidor do que em uma campanha”, aponta Abdo, da Dialeto.net.
No mundo on-line é muito comum encontrarmos comentários, textos e sites que revelam as fragilidades de empresas, marcas, companhias ou que divulgam um serviço prestado de forma insatisfatória. O que poucos sabem é que esta liberdade de expressão virtual é a matéria-prima para novas ações de marketing.
Ouvindo o consumidorCoordenadora da central de relacionamento com o cliente do Boticário, Ana Júlia diz que tudo o que os consumidores reclamam ou desejam vira uma ação estratégica e conta que a empresa investe em produtos baseado em observações e críticas feitas pelos consumidores também no ambiente virtual. “Temos uma comunidade no Orkut do produto Malbec e trabalhamos em cima dela para divulgar um concurso cultural e a melhoria de produtos”, explica.
O Diretor da E-life, Alessandro Lima, acha que há informações mais interessantes nos blogs e comunidades do que em uma sala de imprensa que obtém a informação oficial. Lima concorda que os comentários podem gerar campanhas, e cita como exemplo o Youtube. “Hoje os consumidores já podem fazer o vídeo-clipe de suas bandas favoritas”, conta.
Buscar na rede virtual tudo o que for publicado sobre uma marca parece um trabalho difícil e demorado. Para evitar o desperdício de tempo nestas buscas, algumas empresas adotam uma ferramenta ou desenvolvem a própria. Na Dialeto.net existe a varredura em busca de comentários positivos e negativos que são classificados e também a abertura de comentários em uma única tela. “Trabalhamos com o fator humano para varrer melhor em sites que não dão acesso às ferramentas”, revela Abdo.
No Boticário, a ferramenta usada é justamente a E-Life e o monitoramento de Buzz. A empresa atua de acordo com a urgência, pois nem todos os comentários ou críticas são passíveis de resposta. “Pegamos o perfil e abordamos por e-mail ou telefone dizendo que monitoramos e gostaríamos de esclarecer o que foi publicado na Internet pelo consumidor”, revela Ana, que também usa o sistema de CRM para ajudar neste trabalho.
Bloqueios dificultam comunicação com públicoMas nem sempre é fácil para a empresa monitorar o que estão falando dela pela Internet. “Hoje o gerente de marketing tem acesso bloqueado a sites como orkut, blogs, entre outros. Antes de contratar (sistemas de monitoramento), as empresas devem desbloquear estes sites, pelo menos para o setor de comunicação e marketing”, garante Alessandro Lima. O Diretor da E-life sabe que para entender o seu consumidor é preciso ter acesso aos milhões de comentários sobre o seu produto ou serviço.
Integrante do Comitê de Relacionamento da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Ana Júlia acredita que a política de privacidade ou segurança das empresas deve ser respeitada, mas para áreas de relacionamento com o cliente, esta é mais uma ferramenta. “Existem novas mídias de comunicação com o consumidor. Para as áreas de comunicação é essencial esta evolução”, diz Ana Júlia.
Para Renato Abdo, o fato de estar trabalhando com o comentário do consumidor permite que o computador e as pessoas se entendam de uma forma melhor e daqui pra frente sejam criados sistemas mais fáceis de entender. “Monitorar é importante porque hoje o consumidor tem vidas on-line”, explica.
Facilitando o exercício da cidadania e fortalecendo a relação de consumo, a tecnologia nos permite interagir com a nova tendência dos consumidores modernos. “O comportamento do consumidor só tende a evoluir e as empresas precisam estar preparadas e com a disposição de se relacionar com estes canais”, completa Ana Júlia.



http://www.mundodomarketing.com.br/2006/ver_reportagens.asp?cod=1850

3 comentários:

Quem sou eu disse...

Olá Meninas....

Essa materia me fez lembrar do texto que o Joaquim passou em aula.
Hoje as empresas estão preocupas e antenadas nas opiniões que o seus "clientes" estão postando nessa nova ferramenta de relacionameto.
Parabéns pela materia!!!
Bjnhos

gle disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Interessante abordagem da matéria. Embora a Internet esteja consolidada como ferramenta poderosa de comunicação, as grandes empresas se fecham cada vez mais em políticas de segurança que restringem seu uso pelos empregados, inclusive da área de comunicação/relacionamento com clientes. Por trás do argumento da segurança, existe na verdade a desconfiança em relação ao comportamento dos empregados com a tal "cybervadiagem". A falta de controle em relação ao uso do tempo da força de trabalho é insuportável para quem paga por horas trabalhadas. É preciso que os profissionais de comunicação consigam tangenciar os ganhos obtidos com o uso da Internet, para que ele seja percebido como investimento e não apenas como gasto. Mais uma vez, a Internet apenas potencializa questões que são anteriores a sua existência. Não faz muito tempo que áreas de marketing e agências tinham extrema dificuldade para convencer engenheiros e economistas a investir em publicidade e ações para o fortalecimento de marca. O ponto é como traduzir o "feeling" dos profissionais de comunicação em indicadores inteligentes, capazes de fundamentar o argumento de que o saldo de confiar nas pessoas, seja no uso da Internet, de outras ferramentas de trabalho ou do tempo remunerado de forma geral, é positivo quando se tem profissionais comprometidos e satisfeitos.